quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Joaquim Benite – Uma página de História da Cultura




E de repente, nos antípodas do esterco humano que tantas vezes povoa os textos deste blogue, esterco que permanece, teimosamente, sujando e infectando o ar que respiramos... sabe-se da morte de mais um homem bom!
E de repente, de uma forma tão injusta quanto cobarde e despropositada – é sempre assim que a morte chega, mesmo que largamente anunciada – ficamos sem a companhia amiga, solidária e criativa do Joaquim Benite.
Parceiro de conversas cúmplices desde o velho “teatro” numa colectividade em Campolide (onde eu haveria de passar mais tarde com o recém formado grupo de teatro “A Barraca”), de animados e intermináveis leilões de arte, em que quadros a óleo, ou serigrafias, ou simples desenhos, eram oferecidos ao “Teatro de Campolide” pelos artistas plásticos para serem vendidos em sessões de cantigas que nós, os baladeiros, oferecíamos igualmente. Tratava-se de uma espécie de “reforço de subsídio” para os projectos corajosos que ali dirigia. Isto ainda no tempo em que “os avançados morriam ao amanhecer” (1971).
Ajudou a transformar para sempre o teatro em Portugal. Passou da crítica à acção, divulgou autores “inconvenientes”, criou um grande Festival de Teatro, escreveu, interveio, ajudou a rasgar caminhos para o futuro...
Almada acolheu, desde 1978, o seu talento. Proporcionou-lhe uma “casa” com a dignidade que merecia... e ele gostou. Bastava ver o brilho dos olhos quando mostrava o “seu” Teatro de Almada.
Vem aqui fazer um recital dos teus! – dizia-me ele de cada vez que nos víamos por lá – Tens tudo à disposição! É só dizeres o que precisas...
Acabei por nunca ir. Um dia destes alguém há-de convidar-me para ir cantar no “seu” Teatro... e pensarei no sorriso aberto do Joaquim Benite... que vai viver ali para sempre.
Abraço, velho companheiro!

9 comentários:

Rogério Pereira disse...

Consternado, vou fazer link porque me faltam as palavras

São disse...

Que repouse em paz...e que o seu exemplo seja seguido.

Abraço para vós.

O Puma disse...


Não deixemos morrer os nossos mortos

Abraço

Antuã disse...


Há quem da lei da morte se liberte.

Manuel Norberto Baptista Forte disse...

A já debilitada Cultura portuguesa, ficou ainda mais doente com este acontecimento.

Graciete Rietsch disse...

Hoje é realmente um dia triste. Joaquim Benite, Papiniano Carlos.
A morte é terrível, mas eles continuarão vivos através do grande legado que nos deixaram.

Um beijo.

Olinda disse...

Jâ tudo foi dito sobre a morte precoce de Benite.Ê sempre doloroso ver partir alguêm,com tanto ainda para dar.

Juca disse...


Os anónimos execráveis ficaram em casa.

formiga disse...

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=JYx7GAvjlMQ