domingo, 20 de maio de 2012

O prazer das coisas em comum


Há uns anos, abri uma conversa com o Pedro Osório, em grande entusiasmo. Queria explicar-lhe que tinha “encontrado” um novo pianista de jazz, norte-americano, do qual tinha tudo na ponta da língua... excepto o nome.
Comecei por dizer que nem sabia bem o que me tinha conquistado. Não era nem o virtuosismo, nem a expressão corporal original, nem o reportório... claro que tudo era excelente, mas o mais importante é que me parecia nunca ter ouvido alguém tocar daquela forma, “falar” daquela maneira com o piano...
É o Brad Mehldau! – atirou-me o Pedro, com o rosto iluminado. Quando o Pedro falava de alguma coisa de que gostava muito, sorria com toda a cara, e o sorriso alastrava para todo o corpo, com uma espécie de brilho.
Ainda hoje não sei como é que as minhas pobre descrições o fizeram adivinhar de que novo pianista se tratava... mas fiquei contente. Afinal, tinha mais uma coisa em comum com o Pedro. Era muito bom ter coisas em comum com ele!
Aqui fica o Brad Mehldau recreando-se e recriando um clássico da música norte-americana, “Cry me a River”.
Como a riqueza criativa da reinvenção jazzística da canção, pelo pianista, fica muito mais patente se comparada com a “simplicidade” da melodia original, cantada, deixo-vos também a versão da actriz/cantora Julie London, a intérprete da primeira gravação comercial da canção, em 1955. Há muitas versões, e algumas delas com “embrulhos” bem mais luxuosos... mas, nesta altura do campeonato, começo a ficar convencido de que já não vai aparecer nenhuma versão cantada que consiga superar esta.
Bom domingo!
Cry me a river” - Brad Mehldau
(Arthur Hamilton)



Cry me a river” - Julie London
(Arthur Hamilton)



10 comentários:

Maria disse...

referindo a 'label', apetece perguntar se vai demorar muito...
Bom domingo aí!

Abreijos.

Anónimo disse...

UAAAAUUUUUU!!!!!!!
Bêêêmmmm!!!... "e a vovó..." :)))))...

vovómaria

Manuel Norberto Baptista Forte disse...

Muito bom.

UM ABRAÇO.

trepadeira disse...

O Pedro deixou um buraco que é preciso encher de vez em quando,ou magoa muito e dói insuportavelmente.
Uma bela maneira de fazê-lo.

Um abraço,
mário

do Zambujal disse...

Valha-nos... isto.
Vim visitar-te, como sempre, mas com inevitáveis intermitências e a ainda estou a rir com o.... aquele, o coiso, e puseste-me a chorar como um rio de tanto rir com vontade de chorar.

É pá, estes gajos coisos são... uma coisa!

Um abraço

LAM disse...

Fantástico. O nome não me era estranho, mas não conhecia. Vou dar uma volta pelo youtube a espreitar mais umas coisas dele.

relogio.de.corda disse...

A música é boa mas o domingo nem por isso.

Justine disse...

Magnífico! E foste logo escolher o "Cry me a river", uma daquelas que há muito me caiu no goto-))))
Obrigada por este momento bom.

Tonas disse...

Samuel, gostei imenso e falando do Pedro vi imediatamente esse sorriso à minha frente.Tenho muitas saudades dele e ainda me doi muito.
Obrigada pela música e pela a amizade que vos ligava. Maria antónia correia

Graciete Rietsch disse...

Obrigada amigo por este momento delicioso que usufruí através do teu "post". A música é linda e a cantora maravilhosa. Gostei
muito,muito.
É curioso que me fez recordar as canções do "quarteto de alexandria" e, a seguir, aparece-me o comentário da Justine.

Um beijo