domingo, 3 de junho de 2012

Noite e nevoeiro – Mas toda a esperança é legítima!


Hoje voltamos à música de intervenção pura, dura... e bela! O nosso já aqui ouvido Jean Ferrat, com versos de outro (igualmente) “comuna”, Aragon, numa grande canção de denúncia do horror do Holocausto. Sobretudo, da importância de não esquecer. De saber quem foram as vítimas. De saber quem foram os carrascos.
Só que hoje não é apenas a canção o assunto. A estória começa há muitos meses, numa sessão de cantigas que fui “cometer” a uma escola de Queluz, onde, para meu sossego e satisfação algo admirada, vários estudantes mostravam saber quase todas as canções que eu cantava. Nomeadamente, duas, que acabei por convidar para virem cantar nas “cantigas dos Verdes” que já aqui vos dei a ouvir. A Mariana e a Adriana. Dessas duas, uma, a Adriana, que há dias me confidenciou um estória lindíssima, do tamanho do seu sorriso, com o brilho dos seus olhos sempre curiosos.
Há uns tempos, quando tinha ainda apenas 13 anos, a Adriana estava no auge da sua paixão pela língua francesa (sim, felizmente, ainda há quem se apaixone pela língua francesa!) e por tudo o que ela traz consigo: bons livros, bela poesia, música fantástica, grandes filmes...
A Adriana acabou por ficar “vidrada” no Jean Ferrat. Pela voz, pela maneira de cantar e pelas palavras que cantava – diz ela. Ficou particularmente impressionada por esta canção, Nuit et brouillard e pela tremenda mensagem que contem. Pegou nos seus cadernos de desenho e nas canetas, e vai de fazer uma “banda desenhada”, que tratou de enviar ao Jean Ferrat, que, “oh! felicidade!, não só viu a banda desenhada, como lhe respondeu, com uma fotografia, um autógrafo, e o simpático “Bravo, Adriana. Está muito bom, um beijo, Jean FerratAté hoje, esse dia está gravado na memória como um dos mais felizes da minha vida – diz ela.
Convenhamos que não é todos os dias...
Agora, a Adriana resolveu adaptar a sua (lindíssima!!!) banda desenhada para um pequeno vídeo. Cometeu a “imprudência” de me deixar vê-lo. Assim que o vi, avisei-a de que um dia isto iria acontecer. É hoje.
Não deixem de ver, ouvir e comentar. Recapitulando, foi um trabalho de uma estudante portuguesa. Tinha pouco mais de treze anos. Citando o Joaquim Pessoa, "Toda a esperança é legítima!"
Bom domingo!
Nuit et brouillard” – Jean Ferrat
(Aragon/Jean Ferrat – Vídeo de Adriana Dias)



17 comentários:

Maria disse...

"Porque toda a coragem é necessária"
........
e respiro fundo...
sem mais palavras.

Abreijos.

José Rodrigues disse...

Magnifico...Hollande preconiza acção militar na Síria!Que se levantem os resistentes de França e de todo o mundo,e,avisem as Adrianas!

Abraço

Mário Pinto disse...

Os treze serão sempre legítimos, vitais.

Um abraço

Anónimo disse...

É Maravilhoso!
Bravo Adriana! :)

beijocassss
vovómaria

relogio.de.corda disse...

Também gosto do Jean Ferrat. Há 2 estive na sua terra natal que é só, um lugar tão bonito quanto as suas interpretações.

relogio.de.corda disse...

Aliás, deixo a correção. Não era a sua terra natal mas sim terra adoptiva. Lindíssima na mesma!

Adriana Dias disse...

Olá a todos.
Muito obrigada Samuel!!!!! Merci beaucoup! Et merci, Jean Ferrat...
Adriana Dias

Anónimo disse...

Para quem conhece a Adriana não é surpreendente... embora nos surpreenda muitas e muitas vezes...
É uma curiosidade infinita por tanta coisa...
São tantos "trabalhos" de enorme qualidade...
É um entusiasmo que envolve... até os seus professores!
(interrupção breve para limpar a baba)
É, além disso, uma grande amiga!
Grande Beijo
RR

do Zambujal disse...

Lindo... e duro.
Parabéns, Adriana.
Obrigado, Samuel

Um abraço

Graciete Rietsch disse...

Maravilhoso. A juventude não está assim tão desinteressada. Preocupada e mal informada, sim!
Mas há muitas ADRIANAS!!!
Obrigada, Samuel, por a teres dado a conhecer.
Um beijo.

trepadeira disse...

Não chegaremos todos,mas todos ajudaremos a fazer o caminho.

Também,e muito,ADRIANA.

Um abraço,
mário

Justine disse...

Tudo surpreendente: a maturidade da Adriana, o seu (bom) gosto pela língua francesa, o seu talento para o desenho. Que bom sabermos de GENTE assim! Que força isso nos dá!
Obrigada a ti, Samuel (que entras na história cantada pelo Jean Ferrat) por nos apresentares a Adriana:-)))
E um beijo de força para ela!

alex campos disse...

Sem palavras. É assim que se fica quando se ouve a canção, e agora qusndo se vê a banda desenhada.


Um abraço

Patrícia disse...

Parabéns, querida Adriana, menina especial, para dizer o mínimo. O máximo fica para depois, tête-à-tête. :)
Beijos

maia disse...

E agora, já com a interrupção longa para limpar a baba e a lágrima, aqui deixo ao Samuel o meu obrigada por aqui ter trazido a canção de Jean Ferrat e a "banda desenhada" da Adriana, a minha neta. Para ela o meu orgulho e a minha ternura. Espero que nunca desista, que as histórias desenhadas na parede, nos cadernos, as histórias lindas sobre as "matrafonas" (as bonecas de trapos feitas à mão na Azervadinha)se ampliem, se desenvolvam e a tornem uma tão linda adulta, quanto é adolescente.
Que lindo dia!

RR disse...

Olhe, avó, as suas palavras são lindas e a neta uma menina incrível.
Cá em casa somos grandes fãs!!!
Concordo integralmente: Que lindo dia!!!

Anónimo disse...

Sem palavras e com lágrimas e um coração apertado para que no nosso futuro não se volte a ter o mesmo horror que foi a 2ª G. Mundial.
Parabéns, Adriana e obrigada, Samuel.
Vicky