domingo, 30 de setembro de 2012

Victor Jara – Canto que foi valente, será sempre canção nova!


Yo no canto por cantar
ni por tener buena voz
canto porque la guitarra
tiene sentido y razón

Quando o “império” decidiu remover do poder, no Chile, o Governo de Unidade Popular que tanto prejuízo lhes estava a causar, com o seu “mau exemplo” para o continente e, entre outras coisas, a nacionalização das (gigantescas) minas de cobre, serviu-se das botas cardadas e da selvajaria de Pinochet e dos seus sequazes para abrir caminho ao que viria a ser o regresso do Chile “ao mercado” e à “democracy”.
Para guiar a economia chilena de volta ao mercado, foram enviados para o Chile os “Chicago Boys”, a equipa de “economistas” de Milton Friedman, o verdadeiro “deus” de uma boa parte daqueles que, presentemente, governam em Portugal.
Sim, isto anda tudo ligado...
Claro que esta quadrilha de “economistas” só avançou para o Chile depois de os assassinos de Pinochet, orientados e apoiados pela CIA, terem removido os “escolhos” que tinham “desviado” o país para “maus caminhos”. Um desses “escolhos” foi Victor Jara!
«Canta agora, filho da puta!» - gritou-lhe um dos oficiais, depois de lhe terem esmagado as mãos durante mais uma sessão de espancamento, no Estádio do Chile. “Canta agora...” – uma espécie de versão mais “hardcore” do discurso do nosso ministro Miguel Macedo e da fabula da cigarra e da formiga.
Como ele, segundo contam alguns sobreviventes da chacina, se levantou e cantou... foi ali mesmo assassinado a tiro, perante todos os presentes.
Se tivesse sobrevivido, Victor Jara teria feito 80 anos na passada sexta-feira.
Achei que era esta a melhor “cigarra” a convidar para hoje nos cantar uma das suas canções, Manifiesto, no dia seguinte ao que se passou numa grande praça de Lisboa e dentro de cada um daqueles que ali estiveram.
Bom domingo!
Manifiesto” – Victor Jara
(Victor Jara)



8 comentários:

Maria disse...

Sabe muito bem ouvir hoje o Victor Jara!

Abreijos.

Anónimo disse...

nunca é de mais recordar o elogio que há uns anos alberto gonçalves fez na revista sábado ao guarda que esmagou a mão de vítor jara: "a maior dádiva à música desde o contraponto de Bach.", disse o cronista citando um amigo.

acho que se deve sempre recordar o nível do pessoal a quem pagam para escrever na comunicação social e o calibre democrático dos que lhes dão guarida

Anónimo disse...

Obrigada,CANTIGUEIRO.
Kinkas

Graciete Rietsch disse...

Ai Samuel, queres matar-me de EMOÇÃO?!!!!!!

Um grande beijo.

trepadeira disse...

Não os esqueceremos,para lhe seguir o exemplo.

Hoje tem um sabor especial.

No pasaran.

Um abraço,
mário

Felicidade Carvalho disse...

Obigado amigo.Nunca é demais lembrar,mesmo a quem não esqueceu.Um abraço emocinado!!!!

Luis Filipe Gomes disse...

"Manifesto" foi a primeira canção que ouvi de Victor Jara. Foi um encantamento. Guardei os tostões que um miúdo da minha idade nos ídos de 1975 recebia e ao fim de um ano pude comprar o disco. Só alguns anos depois tive um gira-discos para poder ouvi-lo.
A sua coragem e o seu trágico destino continuam hoje a fazer parte daquilo que sou.

Anónimo disse...

Ai! Se não houvesse tantos que se esqueceram ou nem sequer ouviram falar dos acontecimentos no Chile aquando Pinochet começou a governar, hoje não teriamos os mesmos chacais a infernar-nos a vida.
Obrigada e até pelas lágrimas que teimaram em rolar pela minha face.
Saudações
Vicky